BORA BATER

UM PAPO?

A UNA acredita na potencia das conexões! É na mesa de um café, no boca a boca de uma indicação, na sintonia de propósitos, que os negócios ganham vida e mais: que trazemos luz às nossas carreiras !Quantas vezes você estava com alguma dúvida profissional e ao conversar com alguém, esse diálogo trouxe clareza e um caminho a seguir? Presencial ou online! 

Conecte-se você também à rede UNA!

Enquanto eu escrevia esse texto – o primeiro deste site todo home made – a aba FECHOU. Sabe aquele momento de deslize que você tem com o mouse no notebook e aperta a tecla de fechar por engano, vendo horas de trabalho escorrerem pelos olhos em milésimos de segundos? Foi assim! Nuvem? Backup? Não tinha feito! O tema do texto? RECOMEÇAR! 

Vejam só que ironia. E aqui estou eu, meses depois, recomeçando

Isso mesmo, M – E – S – E – S depois. Não que eu não tenha tentado recomeçar outras vezes, mas tem hora que é preciso ajustar o passo ao que o maestro da – vida, destino, Deus, universo ou quem você acredita reger sua vida – impõe, e deixar de lutar pelo compasso perfeito. Ta aí, uma coisa que empreender escancara: não existe cenário perfeito, sai o cenário ideal e entra o cenário possível. 

E dentro do cenário possível, velocidade, produtividade e constância são palavras quase impossíveis. 

Sem rodeios: por que pouco se fala o quão difícil é recomeçar?

Começar uma dieta é difícil, mas já percebeu o quanto é 10x mais difícil recomeçar a dieta depois de um fds de muitas escapulidas? Abrir um negócio é difícil, mas recomeçar uma campanha de vendas depois de meses vendendo mal, não é mais doloroso?  Ainda não tenho nenhuma conclusão sobre esse fenômeno chamado recomeçar, mas arrisco a dizer que compartilhar o processo não da likes! Vejam só: 

Recentemente vimos o Brasil conquistar um feito inédito de 4 medalhas olímpicas, na modalidade de ginástica artística feminina. Jamais esqueceremos da emoção ao assistir Rebeca Andrade ultrapassar a ginasta consagrada Simone Bile.

Rebeca Andrade sendo homenageada pelas companheiras de podium, nasOlimpíadas 2025.

Coincidência ou não, APÓS o processo, Rebeca conquistou mais de 7 milhões de seguidores na sua conta do Instagram. 

Às vezes me questiono se nós desaprendemos a valorizar os pequenos começos, os passos dados na velocidade que a vida permite sabe? E que nos levam sim ao podium, mas não ao da perfeição! Certa vez ouvi uma podcaster dizer que a vida era muito mais sobre o compromisso de recomeçar quantas vezes forem necessárias do que sobre não falhar. Fez tanto sentido!!

No empreender então, quem não erra simplesmente já deixou de existir como empresa! É produto lançado no timming errado, é colaborador que você achou que tivesse as habilidades necessárias para a vaga mas não tem, é preço calculado esquecendo de alguma variável…e lá estamos nós, depois de algum erro recomeçando e acertando, para depois errar e aprender e fazer melhor!! 

Nos anos 2000, a já consolidada Lego, viu seu império quase ir à falência. Com mais de 238 milhões de dólares em prejuízo, a Lego retirou do seu portfólio, todos os produtos que não performaram bem: videogames, roupas, parques temáticos e filmes foram colocados de lado. A mensagem foi clara: foco total nos famosos blocos de montar, que são a essência da Lego. A Lego deixou de investir dinheiro e energia em estratégias diversas, concentrando o processo de retomada no seu core business. Essa jornada de recomeços, foi de 2004 a 2014, ano que a Lego consolidou-se como a maior empresa de brinquedos do mundo. 

Fábrica da Lego - Blocos de montar

O famoso: os perrengues ninguém vê!!  

E quando o perrengue é equilibrar o cuidado do ser que você mais ama no mundo com a fonte de sustento financeiro da sua família? 

Recomeçar a carreira empreendendo, nem sempre é uma escolha, principalmente quando 56% das mulheres são demitidas após a licença-maternidade ( Mundo RH/Monitor Mercantil, 2025). 

Foi digerindo essa angústia entre conciliar maternidade e mercado de trabalho que Dani Junco criou a B2mamy, uma aceleradora de negócios, dedicada a capacitar e a conectar mães ao ecossistema de inovação e tecnologia.Dani  Apesar de bem estabelecida em sua própria empresa de marketing,  tinha uma inquietação:

“Ta doendo demais em mim pensar em como eu vou equilibrar as duas coisas. Doi em mais alguém? Eu queria tomar um café!” 

E foi assim, com esse post no LinkedIn – ironicamente chamado de Linkedisney por Dani, que o movimento B2Mamy começou. Hoje a empresa soma mais de 30 mil mulheres atendidas e um movimento de R$28 milhões em empresas impactadas. De uma angústia e um cenário nada perfeito, nasceu uma empresa repleta de propósito!

Apesar de não fazer restrições de gênero no atendimento da UNA, o público que procura orientação para aperfeiçoar seu modelo de negócio é majoritariamente feminino. Não é incomum algum atendimento acontecer entre bebe conforto e fraldas, crianças aparecendo na câmera e uma pausa para realizar o cuidado. 

Chega a ser cruel pensar que uma mulher com toda sua potência de gerar uma vida, seja colocada em descarte no âmbito profissional, quando a maternidade em si é uma das maiores escolas do improviso, resiliência e adaptação. Habilidades tão necessárias para o mercado de trabalho!!! 

E para tornar toda essa retomada de múltiplos papéis num contexto completamente desfavorável, o que vê-se na internet como exemplo e possível fonte de inspiração,são gurus de palco com vidas aparentemente perfeitas dizendo: 

“Quem quer dá um jeito, quem não quer dá desculpa.”

“Trabalhe com o que ama e você nunca mais vai trabalhar na vida.”

Isso porque não entrei no assunto influenciadoras digitais, com suas rotinas que encaixam na agenda: corpo perfeito, massagem, academia, salão, eventos de moda e entretenimento e filhos perfeitos que não dão trabalho.

“Mas Sarah, elas postam 15 minutos de um dia com 24h, você não entende que é tudo um recorte? Ninguém tem a vida perfeita!”

Fato! A vida de instagram, quase sempre não condiz com a realidade, porém quando imersos nas nossas diferentes realidades de retomada e com pouco referencial de pessoas real life, compartilhando os perrengues, imprevistos e pratinhos derrubados, eu arrisco a dizer que dificilmente você passaria ileso sem ao menos uma vez questionar: é só comigo? por que fulano consegue e eu não? aquela empresa não tem defeitos! 

Por isso sempre brinco com meus mentorados: cuide de suas emoções, você  é uma plantinha com emoções complicadas. Podem até te vender vender a ideia de que você pode e consegue tudo, mas se tem uma verdade que encontra pessoa física e jurídica é: 

você não consegue controlar tudo! 

E nesse lugar de vulnerabilidade, que pessoa física e jurídica se juntam e precisamos dentro de cada contexto, retomar entendendo o que de fato é valoroso e possível pra NOSSA realidade. 

Hora teremos problemas na família, hora na família de um colaborador que falta no dia do lançamento da campanha, hora com os filhos…e nessa dança de imprevistos incontroláveis, nossas emoções ecoam nos diferentes papéis que ocupamos! 

Essa é a dinâmica da vida do homem e da mulher moderna! E viva a terapia que nos faz parar e escutar, realinhar e observar cada emoção do dia a dia! 

Eu ainda não ganhei medalha olímpica na maratona do empreender, não faturei milhões e não sou mãe, porém não passei ilesa de um processo longo e transformador que me tras até aqui: meu recomeço!

E foi assim, em meio  a um cenário de agenda cheia, mentorias, consultorias e gravação de conteúdo para rede social, onde pouco tempo livre existia, para imprevistos então, nem se fala. Sem avisar, em março de 2022, uma enfermidade rara, gravíssima, atingiu um dos “meus” e eu precisei, ou melhor, escolhi “parar” . 

Parar entre aspas porque enquanto há vida, há movimento, mesmo por vezes achando o contrário. No começo mantive a agenda cheia, com 25 empresas – as noites eram na UTI, os dias atendendo. Com o passar do tempo a noites tornaram-se dia também, passei a atender 20, 10, 5 e pensei:é por um tempo! Só não pensava que fosse tanto!! 

A rotina antes comandada pelo trabalho, foi substituida pelo cuidar! Todos os meus limites expostos, mas uma certeza: 

“Você pode ter mil problemas, até ter um problema de saúde. Aí você passa a ter só um problema.”  autor desconhecido

 E num mundo que insiste em nos fazer sentir atrasados, parar é quase um ato de rebeldia, é um  ato de coragem. Confesso que lutei – não por discordar – mas por instinto de sobrevivência mesmo, para fechar a agenda. A gente sempre acha que consegue esticar a corda um pouco mais, engolir o choro, ligar o computador e como um passe de mágica esquecer – leia aqui seus impossíveis da vez!

E antes que você comece a chorar, venho do futuro dizer que meu pai está bem! 

Foi uma doença, mas poderia ser uma falência, um divorcio, um amigo enlutado, um funcionário envolvido em situação de violência. Os imprevistos não pedem licença e a gente insiste em querer repartir mente e coração. 

 Mas como sabiamente disse Fernando Pessoa:  Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes.

Se a vida te atravessar com o incontrolável, acolha! Se possível: pare! Se impossível: peça ajuda! Rico é ser vulnerável e jamais existirá empresa no mundo com valor superior à nossa vida. 

Pode  demorar, mas os imprevistos passam, ou pelo menos dão uma trégua. E aqui estou eu, recomeçando, nessa nova lógica ainda desordenada, cheia de dúvidas, exercendo múltiplos papéis, tentando acolher meus limites mas na certeza que é preciso dar um passo de cada vez e o caminho se abrirá. E de passo em passo, os materiais da UNA foram revisados, um site nasceu, o rebranding desejado foi feito, pequenos projetos de palestras, consultorias e mentorias foram feitos. A vida andou, no ritmo possível!

Recomeçar é difícil em meio a esse cenário de vulnerabilidade, da saúde, da maternidade, do luto mas também porque nosso próprio cérebro resiste a recomeços!

Segundo a neurocientista e professora do MIT, Jill R Crittenden:

“quando uma ação é repetida inúmeras vezes, o padrão comportamental se torna automatizado no cérebro, tornando os hábitos difíceis de quebrar.”

Isso porque o nosso cérebro trabalha com um sistema de recompensa – liberando dopaminas, todas as vezes que sentimos prazer ou alívio. Mais do que isso, nosso cérebro deseja economizar energia e nesse caso, fugir de padrões desconhecidos.

Diante de um padrão estabelecido, o cérebro busca repetir padrões e comportamentos que já conhece. Essa descarga química de dopamina,  reforça a ideia de que vale a pena repetir o comportamento, criando um ciclo automático entre gatilho, rotina e recompensa. 

Assim, quando tentamos retomar algo novo ou mudar um hábito, o cérebro resiste: as novas atividades a algo cansativo e frustrante.

E como plantinhas com emoções complicadas que somos, a terapia nessa fase é uma ajuda qualificada e poderosa! Recomeçar exige ensinar o cérebro a encontrar prazer nos processos – quase sempre longos, sem recompensa imediatas – pede um mergulho pra dentro, onde os gatilhos que nos deixam ansiosos, são manejados para darem espaço à celebração das pequenas conquistas, do reconhecimento de que pequenos passos tem seu valor mesmo que na perspectiva oposta ao que um dia já foi feito. 

Até porque não somos os mesmos de quando começamos!

Em um desses pequenos passos rumo ao recomeço, marcou-me a fala da minha psicóloga: 

“Sarah, não se comprima mais do que a vida já tem te comprimido!” 

E como nos comprimimos! Queremos ser rápidos, eficientes, malabaristas, milagreiros e se possível perfeitos! Quando na verdade, a maior riqueza que temos e que nos difere das máquinas, são nossas emoções, nossa vulnerabilidade e a incrível capacidade de gerarmos conexões humanas. 

Dos mais de 300 clientes atendidos pela UNA, eu já presenciei inúmeros recomeços:

da bailarina e professora que lesionou o joelho e decidiu abrir a própria loja de artigos de dança, da filha que comandava a indústria têxtil e decidiu largar tudo e foi em busca do sonho de fazer um intercâmbio, da nutricionista autônoma que perdeu o pai mas antes disso sentiu que precisava investir na gestão da empresa química da família e hoje dirige a empresa familiar, talvez com um presságio do que viria. Da mãe que desenhou todo o modelo de negócio da sua empresa de lanches saudáveis para crianças pequenas, engravidou, engavetou o sonho e hoje com 2 filhos recomeçou sendo uma plataforma multimarca de revenda de lanches saudáveis e como esquecer da revenda de mamão que pegou fogo, perdeu tudo – inclusive o cofre com todas as suas reservas financeiras e recomeçou tornando-se um dos maiores distribuidores de mamão do ceasa. 

Nenhum deles foi exato, perfeito, sem escolhas difíceis, sem imprevistos, sem descobertas, sem valores pessoais sendo colocados à prova em meio a um mundo que nos comprime ao ponto de dizer seu CNPJ vale mais do que a vida! 

Até que o CNPJ passa e a vida? 

Eu não sei se você recomeçou em meio à enfermidade, burnout, maternidade, falência, dor, perda de um ente querido, mudança de cidade ou perda de prazer no que fazia. Talvez a vida ainda não tenha te colocado diante de um recomeço, mas acredite: irá! 

Recomeçar é viver! 

E quando a vida te pedir para recomeçar, eu desejo que você tenha coragem suficiente para não correr, mesmo que o mundo insista em nos fazer sentir atrasados. 

Coragem para respeitar o seu contexto, suas dores, VOCÊ! 

Coragem para permitir que as coisas sigam seu ritmo, celebrar os pequenos passos, sem achar que existe o compasso perfeito! 

Coragem para não transformar o ordinário do dia a dia – como o tempo com os pais, filhos e cuidado de si, a primeira venda, o primeiro pro – labore – em apenas mais um item da lista a ser arriscado. 

Que você tenha coragem para demorar onde realmente importa e ser rebelde o suficiente pra ficar parado, ou recomeçar, mesmo que o mundo grite: você está atrasado!

Recomecemos a pequenos, mas vivos passos!

O que a vida te pede para recomeçar hoje? 

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